sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Amor que Nada Apaga

Com interpretações honestas, filme mostra
a grandiosidade dos sentimentos reais

Longe Dela” aborda o Mal de Alzheimer para contar uma verdadeira história de amor. Ao expor como a doença afeta o relacionamento de um casal de meia-idade, unidos a mais de 30 anos, a produção prefere destacar como o acaso pode desafiar nossas mais arraigadas certezas, a meramente expor os sintomas da doença.
É extremamente bem sucedido como romance que valoriza a vida real e os sentimentos indestrutíveis que se constroem apesar das decepções e erros que todos cometemos.
Mostra como as escolhas mais sofridas podem ser o único caminho quando o amor existe de fato.

(9.0) TRAILER

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Oliver Twist da Música

Em tom de fábula "O Som do Coração" investe
em clima inocente pra falar de uma busca impossível


Auxiliado pelo incrível carisma do garoto Fredie Higmore, O Som do Coração é um drama que não reza na cartilha do realismo, prefirindo abraçar com as duas mãos a forma de conto de fadas, na busca de um orfão - com talento excepcional para a música - que utiliza esse dom na busca por seus pais.Uma história otimista, que pode parecer exageradamente melada para alguns, mas que sem dúvida, deixa a sensação de que nenhum sonho é impossível. (8.5) TRAILER

domingo, 31 de agosto de 2008

Um Triller Quase Eficiente

Produção não decola porque se repete demais
Uma boa idéia – mesmo que não necessariamente inovadora – é meio caminho andado para um bom filme.
Uma boa idéia repetida exaustivamente acaba por diluir seus pontos mais promissores, e cai na vala comum da média hollywoodiana.
Ponto de Vista é exatamente assim, um filme quebra-cabeça que narra o atentado a um presidente norte-americano pelas perspectivas dos diversos envolvidos na tragédia. Enquanto vai e volta no tempo desenha o que realmente está por detrás do assassinato, dando “voz” aos mais variados personagens.
Só que a produção é um tanto preguiçosa, senta-se confortavelmente na boa premissa, e entrega uma trama cansativa, que narra a mesma situação vezes demais. O que poderia ser uma carta na manga, vira apenas manobra narrativa pouco eficiente.
Sobram as boas seqüências de ação (com destaque para a excelente perseguição final) que proporcionam no máximo, algumas descargas de adrenalina. (6.5) TRAILER

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Torta de Blueberry e Corações Partidos

Produção acerta no tom ao falar de amores desiludidos
Além de revelar o talento da cantora Norah Jones também para o cinema “Um Beijo Roubado” é um passeio elegante por almas solitárias, desiludidas com o amor.
Construído basicamente através de diálogos que transpiram espontaneidade, tem outro ponto forte nas excelentes atuações de David Strathairn, Rachel Weisz e Natalie Portman.
Pelas mãos cuidadosas do diretor chinês Wong Kar Wai, a produção guarda belíssimas imagens – com cores vibrantes, que só acentuam a beleza do elenco – e um final otimista, sem exageros açucarados. (8.5) TRAILER


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vampiros no Meio do Caminho

30 Dias de Noite é terror bem produzido,
mas poderia ser mais

A produção é uma tentativa quase bem sucedida em emprestar mais profundidade ao gênero horror. Acerta de início quando investe no suspense, sugerindo o mal pra provocar medo. Mas torna-se apenas comum, quando passa a apelar por para cabeças decepadas e frases de efeito em profusão.
Fica no meio do caminho, sem fazer uma escolha definitiva que pudesse tornar o filme verdadeiramente original.

(7.0) TRAILER

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Morcego Puro-Sangue

Em “Batman – O Cavaleiro das Trevas” o
personagem chega enfim, ao seu devido lugar

A reinvenção de Batman como série cinematográfica pelas mãos habilidosas do cineasta Chris Nolan dá seu passo mais firme e audacioso com “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight / 2008 / EUA – 142 min).
Depois dos altos e baixos enfrentados pelo personagem nos últimos 20 anos, sob a ótica dos diretores Tim Burton e Joel Shumacher, e de ter sua origem reinterpretada em “Batman Begins” (2005) o mais novo longa-metragem do Homem Morcego – criado para os gibis, na distante década de 30 – enfim coloca as coisas em seus devidos lugares.
A produção acerta na mosca no teor – mais sombrio do que nunca – na escolha do elenco, e na construção de um roteiro que enfatiza as melhores qualidades do Bat-universo como foi originalmente concebido.
A característica mais marcante – e paradoxalmente – mais surpreendente de “O Cavaleiro das Trevas” é a coragem em desnudar Batman de todos os artifícios já utilizados para facilitar sua abordagem em carne e osso.
É esse Batman puro-sangue que causa surpresa, porque abandona de vez as escolhas óbvias e os contornos infantis que marcavam as adaptações anteriores (no cinema e na TV) – “sujando” a mitologia do verdadeiro justiceiro de Gothan City.
Dessa vez mergulhamos de cabeça num mundo sombrio, maduro e radical. Uma Gotham realista – inspirada nas megalópoles de verdade – imersa na corrupção e na violência, onde criminosos e policiais de moral duvidosa convivem pacificamente, compartilhando os lucros do tráfico de drogas. Um Coringa homicida, que sente prazer com o caos, cai como uma bomba na trama, e provoca repulsa e ódio, sem deixar espaço para o tom humorístico ou para explicações que possam humanizar o personagem. No papel para o qual Heath Ledger parece ter nascido, só cabe o mal sem sentido, que se regozija com a promoção da desordem social.
Em “Cavaleiro das Trevas” Batman é o anti-herói que vive a margem, entre os que o apóiam em sua luta sem volta por justiça, e os que o temem como força que às vezes pisa nas leis para colocar os delinqüentes na cadeia. O conflito moral está sempre presente, seja na forma como a população se relaciona com seu vigilante, ou no papel desempenhado pelo promotor público Harvey Dent, como Cavaleiro Branco, agente da lei incorruptível, que ao lado do Comissário Gordon, atua como parceiro – e talvez herdeiro – do Homem Morcego na tarefa de colocar Gothan nos trilhos.
Por ter sido moldado com as formas de um bom filme policial, e não como mera aventura baseada em quadrinhos “Batman – O Cavaleiro das Trevas” se coloca um degrau acima das outras produções que vêm inundando as salas de cinema. O tom sério e o conteúdo adulto aproximam um dos personagens mais populares da cultura pop, de filmes como “Os Intocáveis” (1987) e essa é a primeira vez que isso acontece de forma tão bem sucedida. Uma herança de qualidade que “O Cavaleiro das Trevas” deixa às gerações futuras, e que certamente tentará ser capturada por outros cineastas – de olho nos recordes de bilheteria e nos elogios quase unânimes que o melhor filme do Batman tem colecionado mundo a fora.
(9.5) TRAILER

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Odisséia de um Apaixonado

WALL-E é Ficção Animada pra Ficar na História

Obras primas não podem ser meramente avaliadas, elas marcam uma época, geralmente estão à frente de seu tempo, e só serão devidamente reconhecidas com o passar de muitos anos.
O estúdio de animação digital PIXAR acaba de produzir a sua maior produção, a obra-prima WALL-E. Depois de inovar e renovar, os desenhos animados com filmes geniais como Toy Story, Vida de Inseto, Os Incríveis e, mais recentemente, Ratatouile, entrega dessa vez, um filme digno de figurar entre as grandes ficções científicas de todos os tempos – ao lado de “2001: Uma Odisséia no Espaço” e “E.T. – O Extraterrestre”.
Dito isso, o máximo que se pode fazer aqui, é tentar entender porque a nona animação de uma produtora que teve cacife pra alterar os rumos da Disney, é tão especial. O que faz com que “WALL-E” toque tão profundamente a memória afetiva do espectador mais mal-humorado?
A resposta é simples, e já fica evidente nos primeiros minutos do longa. WALL-E é a odisséia de um ser apaixonado. Mais exatamente, de um robô apaixonado – que mergulha no desconhecido – em busca da sua amada.
Como em todas as grandes fábulas, esse é um ponto de partida até bastante simples, mas onde se esconde o brilhantismo de uma narrativa carregada da ingenuidade mais cativante que existe, a que emociona justamente pela simplicidade.
O protagonista da aventura é uma máquina com imensos olhos brilhantes, que remetem aos antigos heróis de coração puro e obstinação infinita – como o Carlitos de Chaplin e o ET de Spielberg – WALL-E é uma criança fascinada pelo mundo, mas com um imenso buraco em seu coração de lata.
Enquanto tenta limpar o planeta Terra de todo o lixo deixado pela humanidade, que abandonou a bola azul, a milhares de anos, pra viver em imensas naves, eternamente em órbita, acaba por deparar-se com sua maior aventura. E ela começa com a chegada de EVA – autômato hiper-moderno, tão diferente do quadradão catador de sucata – que utiliza seus poderosos raios-laser para concretizar uma missão que WALL-E não consegue entender.
É por curiosidade e paixão que WALL-E passa a seguir sua amada, e é a pureza desses sentimentos que fará do robô, a última esperança da humanidade na re-conquista de seu velho e mal tratado lar.
Aqui não se perde tempo com lições ecológicas, ou panfletarismo anti- evolutivo chato, WALL-E é feito de alertas, não abraça nenhuma causa, apenas expõe o que pode vir a ser, resultado de algumas escolhas impensadas, de algumas atitudes descabidas, a que nos adaptamos sem ao menos raciocinar – e sempre com leveza, inteligência e charme de sobra.
O desenho é antes de tudo, uma história de enorme qualidade, uma reflexão cheia de cenas de beleza irretocável, que faz de escolha pouco óbvias – como a economia nos diálogos – uma arma pra cativar a atenção e a simpatia da platéia. Consegue comunicar sobre temas espinhosos de uma forma que poucos filmes ditos sérios alcançam. Valoriza os sentimentos sem ser piegas, faz pensar sem ser arrogante.
A PIXAR já marcou seu nome entre os grandes da história do cinema, com WALL-E aproxima-se da perfeição, está lado a lado com gênios que vivem para sempre através de sua arte.
(10.0) TRAILER

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Um Campeão Sedentário

Kung Fu Panda diverte como as melhores comédias

De uns tempos pra cá – na verdade de 95 pra cá, quando a PIXAR aportou nos cinemas como marco inicial da animação digital – tem sido cada vez mais promissor acompanhar as aventuras animadas na tela grande.
Com todos os grandes estúdios apostando seus milhões em desenhos que são minas de ouro, e na capacidade que tem de quintuplicar lucros de bilheteria, com uma infinidade de bugigangas, as produções animadas por Computação Gráfica têm sido a grande mina de criatividade do cinema atual.
Se as grandes produções de hoje investem cada vez mais em fórmulas de sucesso prontas – os Best Sellers das livrarias, e os personagens dos quadrinhos, é na indústria da animação que têm surgido com mais freqüência os roteiros originais mais interessantes e sobre tudo, os personagens mais simpáticos.
E é justamente por trazer à vida, mais um desses personagens memoráveis que “Kung Fu Panda” (Idem, EUA, 2008) merece estar entre as produções mais bem resolvidas desse início de temporada de grandes lançamentos.
O mais novo herói dos estúdios DreamWorks é a personificação do bom humor, e como herdeiro direto de “Shrek” estrela uma comédia de visual arrebatador, e capacidade ainda maior de transformar paródia em piada inteligente.
Na trilogia “Shrek” o mundo dos contos de fada foi colocado de cabeça para baixo com um humor por vezes mordaz. Kung Fu Panda parodia as histórias esportivas de superação fazendo de um urso gordo, preguiçoso e comilão, o Rock Balboa da vez.
Se o mau-humor e o cinismo de ogro um ogro verde foram o bastante para dar forma a uma franquia milionária, a ingenuidade e a simpatia de um Panda lutador parecem ainda mais convincentes no objetivo de entreter descompromissadamente por cerca de 80 minutos.
Kung Fu Panda entrega o que promete: riso fácil, algumas seqüências de ação exemplarmente “encenadas” e diversão que promete render mais uma série de desenhos pelos quais vai valer a pena esperar. (9.0) TRAILER