segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Odisséia de um Apaixonado

WALL-E é Ficção Animada pra Ficar na História

Obras primas não podem ser meramente avaliadas, elas marcam uma época, geralmente estão à frente de seu tempo, e só serão devidamente reconhecidas com o passar de muitos anos.
O estúdio de animação digital PIXAR acaba de produzir a sua maior produção, a obra-prima WALL-E. Depois de inovar e renovar, os desenhos animados com filmes geniais como Toy Story, Vida de Inseto, Os Incríveis e, mais recentemente, Ratatouile, entrega dessa vez, um filme digno de figurar entre as grandes ficções científicas de todos os tempos – ao lado de “2001: Uma Odisséia no Espaço” e “E.T. – O Extraterrestre”.
Dito isso, o máximo que se pode fazer aqui, é tentar entender porque a nona animação de uma produtora que teve cacife pra alterar os rumos da Disney, é tão especial. O que faz com que “WALL-E” toque tão profundamente a memória afetiva do espectador mais mal-humorado?
A resposta é simples, e já fica evidente nos primeiros minutos do longa. WALL-E é a odisséia de um ser apaixonado. Mais exatamente, de um robô apaixonado – que mergulha no desconhecido – em busca da sua amada.
Como em todas as grandes fábulas, esse é um ponto de partida até bastante simples, mas onde se esconde o brilhantismo de uma narrativa carregada da ingenuidade mais cativante que existe, a que emociona justamente pela simplicidade.
O protagonista da aventura é uma máquina com imensos olhos brilhantes, que remetem aos antigos heróis de coração puro e obstinação infinita – como o Carlitos de Chaplin e o ET de Spielberg – WALL-E é uma criança fascinada pelo mundo, mas com um imenso buraco em seu coração de lata.
Enquanto tenta limpar o planeta Terra de todo o lixo deixado pela humanidade, que abandonou a bola azul, a milhares de anos, pra viver em imensas naves, eternamente em órbita, acaba por deparar-se com sua maior aventura. E ela começa com a chegada de EVA – autômato hiper-moderno, tão diferente do quadradão catador de sucata – que utiliza seus poderosos raios-laser para concretizar uma missão que WALL-E não consegue entender.
É por curiosidade e paixão que WALL-E passa a seguir sua amada, e é a pureza desses sentimentos que fará do robô, a última esperança da humanidade na re-conquista de seu velho e mal tratado lar.
Aqui não se perde tempo com lições ecológicas, ou panfletarismo anti- evolutivo chato, WALL-E é feito de alertas, não abraça nenhuma causa, apenas expõe o que pode vir a ser, resultado de algumas escolhas impensadas, de algumas atitudes descabidas, a que nos adaptamos sem ao menos raciocinar – e sempre com leveza, inteligência e charme de sobra.
O desenho é antes de tudo, uma história de enorme qualidade, uma reflexão cheia de cenas de beleza irretocável, que faz de escolha pouco óbvias – como a economia nos diálogos – uma arma pra cativar a atenção e a simpatia da platéia. Consegue comunicar sobre temas espinhosos de uma forma que poucos filmes ditos sérios alcançam. Valoriza os sentimentos sem ser piegas, faz pensar sem ser arrogante.
A PIXAR já marcou seu nome entre os grandes da história do cinema, com WALL-E aproxima-se da perfeição, está lado a lado com gênios que vivem para sempre através de sua arte.
(10.0) TRAILER

Nenhum comentário: